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Marvel vs Capcom 2

Dada a extensão do sucesso da edição de Super Street Fighter II Turbo HD Remix a Capcom não tinha como fugir ao apelo dos fãs para voltar à tona dos fighting games clássicos, compactos e de imediato reconhecimento, beneficiando das plataformas em rede como o XBLA e PS Network, com Marvel Vs Capcom 2, um superlativo absoluto em personagens e forjado a combinações de engate desmesurado.

Fighting game de primeira água nas arcadas através da plataforma Naomi no começo deste século com sequência através de versões domésticas para a Dreamcast, Xbox e PS2, digamos que o pleno de exploração do âmbito online redimensionou o valor comercial e adjacente do conceito adquirido de um Marvel vs Capcom, numa fase em que o uso da licença da Marvel por parte da Capcom ficou assegurado por mais alguns anos.

Coube à Backbone erigir a versão para as plataformas virtuais da moderna geração e muito embora tenha dado uso ao código que serviu de base para a versão Dreamcast deixaram praticamente intocada a componente visual do jogo, apesar de alguns abrandamentos no ecrã de selecção e do “upscaling” que limitou algum do brilho bem marcante na versão arcade e Dreamcast. A adaptação para o formato alargado não deixa de ser, porém, uma mais valia para os utilizadores dos modernos televisores, pelo que a SNK devia seguir semelhante iniciativa nas reedições de alguns dos seus clássicos de luta que teimosamente são lançados com as barras laterais, limitando assim o alcance e dimensão do palco de jogo.

Além da adaptação ao formato de grande dimensão, mas sem a preocupação de renovar o design das personagens, os produtores incluíram alguns filtros na forma como são exibidos os sprites. Nesse caso os jogadores poderão escolher uma apresentação clássica dos mesmos ou suavizada.

Embora seja uma reedição a partir de um produto original lançado em 2000 na cena arcade, mantém intacto todo o entusiasmo ao redor dos belos sprites e efeitos dos golpes esmagadores provocados pelas personagens. Um dos seus grandes trunfos acaba por ser a preservação do estatuto sagrado das duas dimensões encorpado em cores muito vivas, exibindo em simultâneo uma dinâmica alucinante à custa dos infindáveis atributos das personagens e sobretudo potencial utilização das mesmas.

Os efeitos visuais servem de paródia às personagens. Yeah, Spider Man.

Uma das principais fachadas de Marvel vs Capcom, e que tem sido o veio de exortação do título, é a espectacularidade dos combates ao mesmo tempo que as combinações de golpes encadeados se alargam a um nível praticamente sem precedentes. Talvez seja fácil divisar um jogador casual que consegue comprometer-se ao fim de alguns instantes quando risca uma tripla formada pela banda da Marvel ou Capcom. Imaginem Hulk, Ryu e Mega Man na mesma equipa. As possibilidades são inesgotáveis. 56 personagens, desta vez sem necessidade de tempo extra para desbloquear boa parte delas. Agora mergulhar no ritmo profissional do jogo, do domínio cabal dos ataques acaba por se tornar num permanente desafio complexo, mas estimulante quando chegam os primeiros resultados, principalmente nas batalhas travadas em rede.

Móbil fulcral na reedição de Marvel Vs Capcom 2, a componente para múltiplos jogadores em rede (até um máximo de 6) assenta nos mesmos servidores que promovem os combates de SSF2THDRemix. Geralmente decorrem de forma lesta, pontualmente algum lag ou quebra na ligação, mas no geral o online cumpre bem a finalidade mesmo quando a sala nos player ou ranked match está na sua lotação máxima. Com dois jogadores a pugnarem pela vitória os restantes assistem à partida dos seus camaradas, sendo que o derrotado segue para o fundo da fila, em espera, e os restantes espectadores são encaminhados progressivamente para a arena.

No que respeita ao total de 56 personagens disponíveis logo à partida, compreende-se a decisão da Capcom em aligeirar horas de jogo perdidas a promover ao palco novas personagens. Percebe-se que o trunfo deste Marvel está na utilização dos combates em rede e no pleno contacto com os amigos que estejam inscritos nas respectivas listas, pelo que logo a partir daí o modo single player perde algum do peso para a vertente multijogador assim como para a exploração e dedicação a fundo das incessantes e explosivas combinações.

Entre o universo Marvel e a riqueza da produção da Capcom anda o cabaz dividido por mais de vinte personagens de cada banda. Alguns Marvel de miolo; Magneto, Iron Man, Hulk, Wolverine, Sentinel, Cyclops, Spider-Man, Captain América, Juggernaut, etc. Da Capcom; Ryu, Jill Valentine, Charlie, Captain Commando, Morrigan, Strider Hiryu, todos de algumas séries como Street Fighter, Darkstalkers, Megaman e Strider. Entre personagens novas criadas propositadamente e algumas objecto de retoques é impossível não ficar extasiado com o jazigo de figuras. Mesmo que as discrepâncias e o valor de muitas personagens seja variável, não há como falhar numa tripla preparada para ganhar.

A combinação de poderosos e devastadores golpes, bastante simples de executar na sua maioria, tece a evolução dos confrontos neste tag-team de 3 contra 3. Com quatro botões principais para ataques leves e golpes de impacte médio, somam-se mais dois para assistência adjudicada pelos lutadores que aguardam no banco. As técnicas conjuntas são particularmente valiosas e para lá da possibilidade de alteração e repouso de uma personagem alvo de danos constantes, o apoio dado pelas restantes personagens é essencial para abrir mais poderes especiais e alargar as combinações praticadas em conjunto.

Ao nível dos controlos e forma como os comandos respondem às solicitações não há nada a apontar de negativo, pelo contrário. Fazendo uso do Tournament Stick de SF IV da Madcatz a resposta é sempre imediata e todos os inputs se fazem com grande ligeireza, especialmente os golpes especiais. Com o comando, os resultados, embora mais exigentes por comparação com o stick, são igualmente satisfatórios.

Bem, o Hulk desta forma arrisca claramente mais um vermelho directo!

No que respeita às opções de jogo Marvel vs Capcom 2 não oferece grande variedade para lá da progressão a solo e entrada nos combates através da rede. É sempre importante a arena de treino como forma de treinar os golpes e combinações, mas na componente individual poderão desfrutar ainda de uma espécie de score attack pelas sete rondas do modo arcade que vos permitirá inscrever um resultado final nas listas de relevo se batalharem com intensidade.

O estilo musical, sobretudo os ritmos baseados em correntes do jazz urbano promovem aquele toque distinto e claramente estas sequências demarcadas funcionam como uma mais valia, mas se não forem adeptos dessa vertente musical poderão editar e definir a vossa playlist.

Em 2009 e para as plataformas XBLA e PS Network, Marvel vs Capcom 2 permanece como uma escolha sublime e particularmente admirável no renascido antro dos fighting games. Sem perder um pingo de forma nestes dez anos e preparado para espalhar pirotecnia nas televisões de alta definição, esta obra da Capcom colhe com sucesso a primeira rama dos confrontos para vários jogadores em rede, em sintonia, aliás, com a desbloqueada constelação de super heróis de duas bandas respeitadíssimas: uma na área dos jogos e outra da animação televisiva ocidental; o reduto Marvel. Acessível, mas uma experiência que leva bem longe quando devidamente explorada. E nem se descortina bem onde deixa de ser actual e começa um clássico.

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